quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Marilú, quién eres tú?*

Diante da ciência da nossa insignificância (isso de inventar ciências é a marca maior da espécie homo sapiens), criei um jeito para me sentir importante: não sou eu quem encontra os livros, são eles que me encontram e os que ainda não me descobriram aguardam ansiosos por este momento!
O encontro com Marilú, o Livro, aconteceu em Santiago, a inesquecível capital chilena. Rende uma boa e longa história! Mas como não gosto de me estender em demasia, assim posso dar lugar também às histórias alheias (todos precisamos aprender a nos economizar um pouco), vou me limitar apenas a mencionar tal encontro, sem contá-lo de fato.
Noves fora agora estamos aqui, desfrutando da nossa presença. Marilú, o livro e eu. Leio devagar porque é uma leitura difícil. Tem uns desenhos para facilitar a compreensão. Ele exige toda minha atenção e não quer metades de mim. Peguei um bloco com uma página toda em branco para tomar notas – eles sempre incitam novas histórias, é preciso dar continuidade.
Marilú fala sobre a invisibilidade das pessoas da modernidade líquida do velho Bauman e também da cegueira diagnosticada por Saramago.
"E agora José? Para onde estamos indo?" Ela pergunta ao leitor. “Não se trata mais de um ensaio”, alerta, "é preciso saber enxergar". Diz que, cegados pela clareza, pelos excessos, caminhamos às cegas, na escuridão. "Qual a direção?" Ela tem dúvidas. "Ainda podemos ver alguém?", insiste.

Livros ensinam, por isso são também como mestres e amigos. Já nossos aprendizados são como pequenos bruxos do bem, com muitos poderes e que trazem sorte boa, além de proteção. Proteção e cuidados todos nós precisamos porque nessa aventura que é o aprendizado de si, vulgo autodescoberta, sabe-se lá o que podemos encontrar. Entre divagações, subjetivas, objetivas, uma coisa é certa: Diversidade e simplicidade, assim como nos ensina o livro da pequena Marilú, essa menina sabida.

Por Grazielle Pansard


Fotografia: Grazielle Monica 



*Obra referenciada: “Marilú, quien eres tú?” deTrinidad Castro com ilustrações de Fabiola Solano. Editorial Amanuta, Coleción Sin Límites.

Crônica publicada na Revista Valeu! A Revista Cultural do Vale Europeu, pág. 62, edição Julho de 2016. Também disponível em versão online www.revistavaleu.com.br 

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