Ao terminar o primeiro episódio de Hacks, pensei: gostei, mas não sei exatamente por quê.
Algumas experiências não pedem análise imediata. Elas pedem convivência. Um livro, uma amizade, uma cidade, uma música... às vezes a compreensão vem só algum tempo depois.
Em poucas palavras: A série mostra mulheres tentando viver. Trabalhando. Errando. Criando vínculos.
E eu, ao longo dos episódios, fui descobrindo o que me conquistou.
As duas protagonistas são inteligentes. A série não trata nenhuma delas como caricatura: mocinha versus vilã. Deborah pode ser vaidosa e difícil, Ava pode ser impulsiva e arrogante, mas ambas têm talento.
Deborah e Ava nao estão ali para salvar uma à outra. Elas competem, se irritam, aprendem e, aos poucos, vão revelando camadas que nao aparecem no primeiro episódio.
Os diálogos têm ritmo. O humor nasce da personalidade delas, não de piadas soltas.
O que costuma chamar minha atenção:
》A vulnerabilidade das personagens por trás da ironia.
E “Medíocres” oferece isso aos montes.
A série não pede que você tenha pena de Deborah. Em pequenos gestos, ela deixa escapar a solidão, o medo de envelhecer e a necessidade de continuar relevante.
Quem nunca conheceu alguém assim?
》um espelho ajuda a responder essa pergunta.
E, finalmente, ela respeita o espectador. Não explica tudo nem força emoção. Como disse, você vai descobrindo com o tempo o que te prende nela.
Já assistiu?
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