quinta-feira, 30 de julho de 2026

Medíocres (Hacks): Para quem gosta de gente imperfeita

Ao terminar o primeiro episódio de Hacks, pensei: gostei, mas não sei exatamente por quê. 

Algumas experiências não pedem análise imediata. Elas pedem convivência. Um livro, uma amizade, uma cidade, uma música... às vezes a compreensão vem só algum tempo depois. 

Em poucas palavras: A série mostra mulheres tentando viver. Trabalhando. Errando. Criando vínculos. 

E eu, ao longo dos episódios, fui descobrindo o que me conquistou. 

As duas protagonistas são inteligentes. A série não trata nenhuma delas como caricatura: mocinha versus vilã. Deborah pode ser vaidosa e difícil, Ava pode ser impulsiva e arrogante, mas ambas têm talento. 

Deborah e Ava nao estão ali para salvar uma à outra. Elas competem, se irritam, aprendem e, aos poucos, vão revelando camadas que nao aparecem no primeiro episódio. 

Os diálogos têm ritmo. O humor nasce da personalidade delas, não de piadas soltas. 

O que costuma chamar minha atenção:

》A vulnerabilidade das personagens por trás da ironia. 

E “Medíocres” oferece isso aos montes. 

A série não pede que você tenha pena de Deborah. Em pequenos gestos, ela deixa escapar a solidão, o medo de envelhecer e a necessidade de continuar relevante.

Quem nunca conheceu alguém assim?

》um espelho ajuda a responder essa pergunta. 

E, finalmente, ela respeita o espectador. Não explica tudo nem força emoção. Como disse, você vai descobrindo com o tempo o que te prende nela. 

Já assistiu?




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