terça-feira, 17 de julho de 2018

À Deriva - sessão de julho



Sobre o filme: À Deriva, do diretor Heitor Dhalia, leva o espectador a um cenário paradisíaco (Búzios no Rio de Janeiro dos anos 80) onde os dias podem ser regados à banhos de mar, sóis amenos e inspiração. Pura leveza, ledo engano. À Deriva mostra que também os paraísos guardam em si pequenos infernos e que neste filme ganham corpo nos personagens de Matias (Vincent Cassel), Clarice (Debora Bloch) e Filipa (Neiva Belle), esta última talvez a protagonista do enredo. Filipa é adolescente e está descobrindo o mundo ao mesmo tempo em que é descoberta por ele. Primogênita de um escritor e uma professora, percebe que o paraíso existe, sim, senão no horizonte da paisagem ou, para ela, num deixar-se levar, à deriva, no balanço das águas do mar. 
Texto: Grazielle Monica G. Pansard 


sábado, 9 de junho de 2018

Melancolia - sessão de junho


Sobre o filme: Diante do conhecimento de que para tudo existe um fim, a sensibilidade. Muito mais além de uma patologia, Melancolia retrata artisticamente a condição humana e suas possíveis relações com a finitude.
Texto: Grazielle Monica G. Pansard 

sábado, 5 de maio de 2018

Capitão Fantástico - sessão de maio




Sobre o filme: Um pai excêntrico, seu senso de família, sua responsabilidade e o envolvimento com ela. A necessidade de inserir os filhos no universo da educação para que existam possibilidades de, mais do que lidar com o mundo, ter condições de participar dele. Capitão Fantástico retrata possibilidades alternativas, diante dos caminhos tradicionais, assim como seus desdobramentos.
Texto: Grazielle Monica G. Pansard 
*Depois do filme participe da atividade-proposta ;) 

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Amores Imaginários - sessão de abril




Sobre o filme: Amizades coloridas por paixões. A vontade de ser desejado, amado. O ciúme. Obsessão e indiferença. No final mais que uma desilusão, a vida vivida e transformada em experiência viva. Ao som de The Police, Bach, The Knife, Dalida, entre outros que compõem a trilha sonora escolhida para dar musicalidade ao filme, a estória que parece ser inspirada nas cores de Almodóvar é no mínimo cativante e pede ser vista mais que uma vez. Se você é estudante de Psicologia, vem ver uma delas com a gente e depois participe da atividade-proposta.
Texto: Grazielle Monica G. Pansard 



terça-feira, 10 de abril de 2018

CinePsykhe - apresentação




O que pensamos? 

Buscamos por meio da cultura da Psicologia como área de atuação técnica e profissional, “o saber psi”, ampliar nas pessoas e instituições suas formas de ser e estar no mundo, promover qualidade de vida, renovar o conhecimento, inspirar novas ideias. Essa ampliação traz como consequência direta formas mais arrojadas e satisfatórias de lidar com os desafios cotidianos às vezes impostos pelas circunstancias e não inteiramente controláveis.  Saber quais os caminhos mais adequados para lidar com aquilo que não controlamos é um aprendizado constante. Descobrir instrumentos que nos ajudem a lidar com esses desafios é possível, desde que tentativas sejam feitas. Para isso é preciso criar novas experiências e se propor a vivê-las. A experiência cinematográfica nos insere num universo paralelo, entramos no universo do outro, onde é possível ser ao mesmo tempo espectador e personagem, onde, também, a imaginação entra em ação. E sabemos que ela é uma grande aliada no exercício profissional psi, seja qual for o contexto, é importante dar espaço a ela quando lidamos com pessoas. É ela a responsável por soluções significativas que a história da humanidade já contou. Pensemos em Einstein, Santos Dumont, Maria Quitéria de Jesus (nossa Joanna D’Arc), Tarsila do Amaral.
Saber deixar a realidade em suspenso para acolher a imaginação e produzir “respostas”, “resultados” concretos a partir das suas possibilidades em conexão com a realidade pode ser um desafio, mas sabemos que rende bons frutos àqueles que aceitam embarcar na viagem e desbravar novos caminhos, ainda que através de uma telinha :) compartilhada.

O CinePsykhé é um projeto em parceria com a Clínica de Psicologia Psykhé de Blumenau e tem como público-alvo acadêmicos de Psicologia. 

Autora: Psicóloga Grazielle Monica G. Pansard 


quinta-feira, 30 de março de 2017

O luto que resiste: A terapêutica clínica e Saúde Existencial

FOTO: VejaBrasília 
Imagem da exposição "Modelo para Sobrevivência" de Julia Catstagno (Uruguai)

No primeiro fim de semana de outono, último 25 de março deste ano, estivemos em Curitiba com o propósito de participar de um MiniCurso cuja temática frequentemente considerada obscura e pesada, contrastou com a leveza daquele sábado marcado pelo clima típico da estação: Natureza viva se exibindo na cor do céu, no vento, nas folhas secas caídas às margens do chão e que enfeitaram nosso caminho até o “Encontro da Amazônia”, local onde aconteceu o evento. Terra de personalidades como João Turín, Dalton Trevisan, Paulo Leminski e casa de José Castello, Curitiba é, certamente, um lugar que aprendemos a amar, por isso vive sempre nas nossas lembranças (mesmo que estejamos longe).
“A morte é sempre um susto. Uma quebra”.
“Nossa sociedade está preparada para acolher o luto daqueles que perdem um ente querido?”
“De que modos são tratados os enlutados em nossa sociedade?”
À luz destas questões e sob a condução da Professora e Psicóloga Dra. Joanneliese de Lucas Freitas, atualmente docente na UFPR e organizadora do livro lançado em 2015 “Mães em Luto: A dor e suas repercussões existenciais e psicanalíticas” (Juruá Editora) fomos convidados a pensar e dialogar em torno de um dos eixos comuns à vida de todos nós: A morte e o processo de luto envolvido neste acontecimento. Trabalho árduo, sem dúvida, para todos os presentes no encontro: Psicólogos, especialistas no assunto, acadêmicos e médicos. “A não ser que morramos primeiro, todos, em algum momento das nossas vidas vamos passar por um processo de luto”, lembrou-nos Dra. Joanneliese (ou apenas “Jô” como se autodenominava), introduzindo a inquietação necessária para que nos desacomodássemos de nossos lugares de “inatingíveis” e “imortais”.
Inatingíveis é tudo o que não somos enquanto Psicólogos, Psicoterapeutas, Analistas ou qualquer denominação que se dê o profissional que se propõe a fazer do seu pensamento, palavras, silêncios, diálogo, corpo de conhecimento, instrumento de trabalho em favor do outro – Aquele que o busca.
Estar diante de alguém que sofre a dor da perda, nunca é trabalho fácil, nem tampouco se vale para sustentar a ideia romantizada deste ofício que permeia a fantasia de muitos profissionais ainda em fase de formação, do tipo “quero poder ajudar”.
Não raro, diante do adoecimento e da morte, também padecem profissionais que atuam neste contexto. Deixam-se atingir, ainda que pelejem arduamente contra sua própria sensibilidade (capacidade de pensar), isto que os faz humanos. Também requerem cuidados.
Quem já passou pela experiência sabe que diante da dor da perda, somos de verdade, impotentes. Por mais que estejamos munidos de informações, de formações e vivências a dor desencadeada por uma experiência de luto/morte é sempre singular e única, não passível de técnicas de manuseio e que deixa a todos nós “órfãos”. A dor não se deixa domar, é selvagem e pede lugar. Muitas vezes, quando não ouvida, paralisa quem a traz no corpo.
Diante dessa constatação, o que nos resta fazer?
No final do ano de 2014, estive na capital de Minas Gerais, em Belo Horizonte, onde visitei no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) uma exposição curiosa. Integrando a Mostra Coletiva “Ciclo: Criar com o que temos”, que tem circulado também em outros estados do Brasil, a obra “Modelo para sobrevivência” da artista uruguaia Julia Catstagno (1977) chamou especialmente minha atenção. Ao entrar numa sala escura iluminada apenas com tímidos feixes de luz, deparei-me com uma obra monumental de forma indefinida e sem qualquer significado à priori. Senti-me ligeiramente desconfortável, dando lugar, portanto, ao desconhecido. Elaborada e construída sob a fragilidade de finos palitos de dente onde um servia de apoio e suporte ao outro, unidos por uma tênue camada de cola a obra formava um todo sustentado a partir da integração das suas partes. Simples e ao mesmo tempo complexa, a obra “Modelo para Sobrevivência” nos remete à força que existe no coletivo e no suporte que podemos encontrar no outro.
Volto ao Minicurso sobre “A clínica do Luto” ministrado pela professora Joanneliese e com quem fomos aprender.
Diferente de ideias difundidas por aí, sofrimento não nos deixa melhores. Precisamos aprender a lidar com ele. Acolher, dar-lhe voz, é um bom começo num processo de cura.
“Nossa sociedade não é acolhedora” desabafou alguém a certa altura da aula. Bastante compreensível se olharmos para nosso retrato social, onde quem não produz compulsivamente e o tempo inteiro não é feliz (ou pelo menos pareça) é de um modo ou de outro excluído, a experiência do luto pode ensejar no sujeito que a vivencia, muita solidão, isto é, impossibilidade de compartilhar algo.  
Voltei de Curitiba com a mesma sensação de impotência com que fui, diante deste tema aterrador. Se valeu a viagem? Sem dúvida. Afinal de contas, pudemos falar, estar juntos, nos ouvir. Através do conhecimento e da presença de cada um que esteve lá, fomos e tivemos suporte, ainda que a realidade da nossa mortalidade, em nenhum momento, nos abandonasse. Pudemos, de verdade, compartilhar desse tema que é tão difícil falar. 

Por Grazielle Monica G.Pansard

sábado, 16 de julho de 2016

Procelária de Sophia

Procelária de Sophia

Vai acabar tudo em mim
nada vai continuar.
Por isso bebo da vida
em goles 
muito muito devagar.
Quero saber o gosto
quero sentir tudo o que há.
No final estarei embriagada
e para além de mim
uma música em silêncio
continuará a ressoar.
Nesse momento em paz
à melodia do silêncio
E T E R N O
Com fé e pra
 sempre
vou enfim me entregar.
Eis aí o ponto,
meu infinito particular:
esse desafino.

julho, 2016. intervalos 

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